domingo, 25 de abril de 2010

Fracasso e reparação das tentativas de mudar o mundo

Meu olhar se perde ao piscar.Não há foco.Há apenas uma luz azulada quando tento organizar os pensamentos.
Sinto agitação, porém não consigo fazer nada em suficiente importância. Eu perco a esperança por alguns momentos. Acho que nunca irá acabar. Que nunca vou encontrar meu verdadeiro “eu”. Sempre estarei manipulada pelas forças do interior.
Ouço a voz. Uma voz que apita em minha mente sem parar, dizendo que tem alguma coisa errada.
Estou animada para começar. E então, estou cansada para terminar. Não há uma ordem de processamento nesse ciclo que forneça um padrão. É como o clima, tomado por forças de dentro e de fora.
Não me sinto mais acomodada com a infelicidade, porém não acho criatividade ou organização para impedi-la de tomar conta de tudo.
Vejo luzes brilhantes que me alcançam. É uma tempestade terrível, na qual eu tento não perder a sanidade.
Não me acho entre esses dois extremos: o choro e o sorriso. Perco-me vagando entre os dois, sem saber como me encontrar e me firmar em um equilíbrio.
Estou sozinha, sou sozinha.Não quero mais ser forçada a viver sentimentos que não são meus, ter atitudes que não são minhas.
Não vejo saída. Quero escapar por algum buraco, mas não há jeito. Tento me transformar nessa pessoa que todos esperam que sorri quando precisa e chora escondida.Não consigo.
Não quero desistir. Não vejo essa loucura como algum tipo de impedimento pra que eu não seja feliz ou de ser o que eu quiser quando crescer. Só preciso de paciência e amor.
Aprendi a ser paciente comigo, embora às vezes me culpe demais, espere demais, exija demais…
É-me oferecido muito. Vocês são a corda que me mantém dentro dos padrões que exigem. São a força, o amor e a verdade. Vejo luz quando olho pra vocês.
Não estou conseguindo. Não sei mais o que fazer.
Antes, eu era pequenina e não me pediam responsabilidade. Ainda me sinto desse jeito. Mas o mundo me empurrou para frente, como faz com todos os jovens. Estou perdida. Não me encaixo em mundo nenhum. Estou sempre migrando de um lado para outro, um esforço tremendo para não cair, para não decepcionar… (de novo)…
Não sei se eu escolheria ser diferente se alguém me perguntasse. Talvez todos os meus pensamentos não fossem tão profundos e eu não tivesse tanta sensibilidade.
Antes eu me orgulhava de mim. Achava que era – enquanto pessoa- boa, sincera e inteligente.
Mas agora, reconheço que não sei mais do que me orgulhar. Do que esperar. Não sei mais ter expectativas sobre minha vida. Vejo-me dependente de tudo que me cerca.
Vícios, manias, dependências… Muito velha pra tudo isso. Muito burra. Muito chata.
Não quero mais nada disso. Quero um equilíbrio. Quero sonhar de verdade. Quero poder ter o futuro que eu considero justo. Não quero viver na expectativa de cair a qualquer momento por uma falha de meus sentimentos. Da minha cabeça.
Minha vida é baseada em períodos. Em erros, não em acertos. Os acertos são sorte. Os erros são meus.
Não sei se sei sorrir. Não lembro.
Existe essa melancolia… essa aceitação de fracasso após fracasso.Essa aceitação de perdedora.
Não quero. Não nasci pra isso. Nasci pra vencer e mudar. No entanto, cada vez que nado pra cima, o peso em meu coração me faz afundar.
Estou sozinha, compenetrada nesse universo cheio de versões de mim mesma.
Não sei agir. Estou parada no meio dessa multidão que se diverte e não sei agir. Não sei receber nem dar. É impossível. Não me movo. Há algo me impedindo.
Há náusea em meu estomago, há pesar em meus passos, há agonia em minhas palavras. Sou um cadáver que foi deixado para apodrecer.
Não faço sentido nem diferença. Sou perdida, não me encaixo nesse quebra-cabeça.
Preciso fugir, mas quero levá-los comigo. Não há fuga na tristeza, de qualquer forma. Não há força para fuga.
Estou afundando para depois voltar à tona. Tenho medo, muito medo de não conseguir voltar. Quero o mundo em minhas mãos. Mas ele não pára para que eu o pegue, o embrulhe e o tome como meu. Vou tratar de registrar cada parte dele, a parte injusta e a parte bela.A parte injusta eu conserto.A parte bela eu agradeço à Deus por ainda não terem matado.

créditos: Debbie Nakaza

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